terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A REALIDADE DAS LIDERANÇAS NO MEIO NATURAL


Não se iluda com o número de páginas de um livro, isso não influencia na sua qualidade. De fato, descobri esse importante detalhe ao ler “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway (originalmente publicado com o nome The man and the sea). Este pequeno livro tem aproximadamente 100 páginas, foi publicado em 1952 e, dois anos depois, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Há uma grande integração com a natureza. Riquezas e vivências, conhecimento que o personagem Santiago nos passa a respeito da vida, pescaria, conhecimento de mundo e da natureza. Realmente digno de premiações e com uma linguagem simples e atraente.
Já havia percebido a grandeza de outros pequenos livros, como “A revolução dos bichos”, de George Orwell (originalmente publicado com o nome Animal farm). Trata-se de uma história envolvente onde os animais lutavam por mais cuidados, por sua liberdade e para construir um espaço em harmonia com os bichos; trabalhando e cuidando de seu próprio sustento sem precisar sustentar os humanos, nem tampouco dar-lhes dinheiro sem receber nada em troca. Pouco a pouco, com a liderança dos porcos, que dentre os animais eram os mais inteligentes, as coisas vão se dirigindo para uma política capitalista e autoritária, muito próxima das práticas humanas. Os porcos passam a se comportar como se fossem melhores que os outros, pois tinham as melhores ideias e maiores responsabilidades. Fica evidente que em todo o lugar onde for necessária uma liderança haverá disputa por poder e corrupção. Assim como em “O Senhor das Moscas”, de Willian Golding (originalmente publicado com o nome de Lord of the Flies), o contrário acontece: os pais de um grupo de crianças inglesas providenciaram um avião, em uma tentativa de tirá-los dos bombardeios da Inglaterra, que durante a viagem caiu em uma ilha deserta.  O piloto morre, as crianças ficam sozinhas, sem adultos ou qualquer instituição, forçados a viver juntos em um estado natural. Da civilização, passam aos poucos a esquecer; precisam de alimentos e manter a fogueira acessa para o caso de aparecer regate. Porém, nem todos estão de acordo. O instinto da caça fala mais alto no grupo do Coro, liderado por Jack e, do outro lado o grupo de escolares, liderados por Ralph, que tenta manter a ordem, respeito e dignidade. Este, de fato, é um livro mais grosso e com mais detalhes e simbolismos, percebe-se que inserido em estado natural, nosso lado selvagem fala mais alto.

A necessidade de sobrevivência nos faz selvagens? Ou sempre fomos? Somos todos irmãos: humanos e não-humanos. Precisamos dos animais para nos acompanhar, para manter o equilíbrio, para mantermos nosso sustento. Eles nos ensinam a ter persistência, ter força, ter coragem e, ainda, são incrivelmente belos. Nós existimos para proporcionar que eles se reproduzam, para manter a ordem e para garantir que nossos irmãos, os animais, tenham sua serventia, pois cada espécie tem seu valor e suas características específicas, dependendo do meio em que vivem. Nós não somos nada mais do que animais habitando cidades; já os animais são humanos que habitam a floresta. Nenhum é melhor do que o outro; nós não somos melhores que ninguém. Essa é a realidade. A realidade também é subjetiva e espacial, isto é, depende do ponto de vista dizer o que é real. Esse é o meu ponto de vista que pertence ao meu conhecimento de mundo e à minha imaginação.

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